sexta-feira, 11 de novembro de 2016

terça-feira, 17 de novembro de 2015

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Inês


Nesse rascunho usado
Por três, quatro, cinco, seis
Humanos loucos, retardados
Foi escrito sobre Inês

Inês é linda
Branca, loira e bem peluda
Linda...
A Inês peluda é linda.

Rapidamente meiga
Ela cospe em mim
Cospe com horror
Cospe chupando o amor que vê em mim

Inês morreu mês passado...

Não sabia se escrevia nesse rascunho usado
Por três, quatro, cinco, seis
Humanos loucos, retardados
Foi escrito sobre Inês

Inês é linda
Branca, loira e bem peluda
Linda...
A Inês peluda é linda.

Rapidamente meiga
Ela cospe em mim
Cospe com horror
Cospe chupando o amor que vê em mim
Inês morreu mês passado...

Não sei se cuspo no caixão
com horror porque ela morreu
Ou por amor que sentirei
Inês morreu
Morreu...

Susto


Ando meio assustada
Levando susto de tudo
Do vento, gente, do nada

Pleft!!!

Mais uma vez fecha-se a porta
O vizinho prende cinco periquitos na gaiola
Eles fazem muitos barulhos

Pow!!!

Meu irmão chegou e abriu a porta com toda força
Os periquitos dormem
Talvez agora eles nunca mais façam barulhos
Porque estão dormindo...

Tãm! Tãm! Tãããm!!!
O sino na igreja de São Raimundo soa
Logo na rua aqui da frente
Sem um por que.
Por quê?
Do nada ando meio assustada.

Meu puteiro

Cansei de ser boazinha contigo
Agora o meu choro ferido começa
a ver um sentido
em sangrar lágrimas sem pressa

Tu vais parar de mentir
Não vai mais fogo cuspir
Não vai...

De tanto fogo cuspido
Não terás nenhum amigo
Em situação qualquer
Não comerás nenhuma mulher

Se quiser fazer amor
Tens que me amar

Mas eu te avisei
Cansei de ser boazinha contigo
Agora vais viver no meu puteiro
Guardado no meu cativeiro
Que as vezes chamo de coração

domingo, 4 de dezembro de 2011

Divisão do Pará


Então, as pessoas falam da divisão pela divisão aqui, mas não visam aspectos importantes como : Será que ''desenvolvimento'' seria construir grandes metrópoles em áreas que são atualmente consideradas rurais? Será que esse ''desenvolvimento'' proposto a um caboclo amazonida, a uma tribo indígena ou a um ribeirinho não seria mais um etnocídio ao impor a cultura das grandes cidades?
Aí o tiozinho que quer dividir o Pará, chega com meu primo que mora lá na beira do Xingu e diz  que tudo vai mudar, se ele votar para separar. Que lá na cidadezinha que ele mora, que não tem NADA, vai ter TUDO.
Vai ter um grande shopping center, onde ele vai poder comprar as roupas que ele usará, prontas! Dona Maria, sua mãe, que costurava para ele e para o resto da cidade não terá mais para quem costurar... Ah, mas terá um hospital também! Assim, as mulheres que têm neném não vão mais precisar do serviço tradicional e hereditário das parteiras. Vovó Bernadete era parteira. Tia Rosa,sua filha, é parteira. A filha dela, Cleonice, está aprendendo desde pequena. Agora, depois que o hospital chegar... Ah, mas terá uma farmácia! Janilton, que era curandeiro não vai precisar mais entrar no mato para colher as ervas medicinais que curava as pessoas da cidade. As farmácias terão remédios prontos para serem comprados. E em caixas...Pescar e caçar ? Ah, vira essa boca pra lá! Isso virará coisa do passado! Para quê? Terá um enorme super mercado. Recheado de coisas saborosas e industrializadas que você pode comprar! Huummmm....delícia!
Então meu primo foi definitivamente convencido que com um Shopping Center, com um hospital, com uma farmácia e com um super mercado, sua vida irá mudar! Afinal,  a vida dele começará a ser bem parecida com a minha vida que moro na capital, Belém. Só esqueceram de lembrar alguns detalhes para o meu querido primo:
Que Dona Maria, sua mãe, que costura, como vai ficar sem costurar...não vai ter dinheiro. Não tendo dinheiro, não vai poder comprar no shopping as roupas prontas pro meu primo.
Que a Tia Rosa e sua filha aspirante a parteira, não vão mais fazer partos, por causa do hospital. Logo, não poderão pagar o plano de saúde que precisa ser pago para utilizar os serviços deste hospital. As unidades públicas de saúde? O deputado disse que só vai sair no mandato que estar por vir...
Janilton, o curandeiro, não vai precisar ajudar as pessoas com seus conhecimentos medico - botânico.  A farmácia vai está lá. Mas quem vai ter dinheiro para comprar remédios tão caros? Sem contar com os efeitos colaterais possíveis de ocorrer, haja vista que uma população nunca usara medicamentos tão industrializados.
O mapará, o tambaqui e o pirarucu...vão virar sardinha em lata vendidos no Supermercado. Vai ser coisa de gente rica comer um mapará com farinha e açaí e dormir depois do almoço. O meu primo, que sempre pescou com o pai, vai passar fome porque não vai ter dinheiro para comprar no supermercado, que por sinal está cheio de comida. Que contradição...
E não é só isso não...com esse suposto desenvolvimento que eles estão propondo, as rodas de carimbó ( dança típica da região norte) serão substituídas por sertanejo universitário. O nosso tecnobrega, por pagode. Não estou discriminando o sertanejo ou o pagode, só estou enfatizando a perda de regionalismo que poderá ocorrer. A perda de cultura musical.
E agora? Sem dinheiro? Sem poder comprar? A cidade será invadida por novas pessoas. Essas novas pessoas irão construir novas casas. E essas novas casas não serão palafitas, serão de alvenaria. O mato que tinha no lugar onde serão construídas essas casas de alvenaria, será destruído. Serão construídas umas 10 mil casas de alvenaria. E o mato? Não vai ter mais mato. Não vai ter mais palafita. Porque quem mora nas palafitas será desabrigado. Por quê? Porque de acordo com o governo, quem mora em palafita, costura a sua própria roupa, faz parto com parteira, usa ervas medicinais, pesca e caça...é pobre, marginalizado e não tem o direito de viver desta maneira. Então...o meu primo vai descobrir na prática, que talvez viver em uma cidade grande, um grande centro urbano, não é tão bom assim.
Sinceramente? Estou de saco cheio desse desenvolvimento inútil que estes políticos sujos propõem. Não acredito que construir nas zonas rurais grandes impérios urbanos desiguais é saída para o estado do Pará, nem para lugar nenhum! Irá trucidar nossa cultura, irá dilacera nosso povo e exterminar com o meio ambiente da Amazônia.  Por isso, digo que não quero virar canteiro de obra para empreiteiro, não quero barragem nenhuma nos nossos rios, não quero ver a nossa biodiversidade explodir, não quero ver meus parentes e amigos serem enganados, não quero, não quero! Moro na cidade, mas isso não me impede que eu vá na casa do vovô e relembre os velhos tempos indígenas dos Ajujure e me pinte para guerra!  Eu vou lutar contra o que eu achar que destrói o meu povo!

Abraços,

Fernanda Paz

domingo, 18 de setembro de 2011